Construção da Moral, Ética e Identidade no Desenvolvimento Infantil

Li um texto da minha parceira Ana Rodrigues que simplesmente amei! Ela dá uma aula sobre a construção de ética e moral das crianças com exemplos simples e presentes no nosso cotidiano de pais e mães, vale MUITO a leitura!!!

 
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Desde o nascimento as crianças buscam adaptar-se ao mundo, ao mesmo tempo que tentam compreendê-lo através de sua principal atividade: o brincar.

Já nos primeiros meses de vida os pequenos experimentam situações que os proporcionam descobertas, que vão desde ver o efeito de bater as mãos na água do banho até, mais tarde, fazer careta diante do espelho e disputar um objeto com seus pares de idade.
As possibilidades são infinitas e, por mais que aos olhos dos adultos seja óbvio, as crianças estão descortinando uma infinidade de surpresas a cada instante.
Neste constante jogo de descobertas, muitos sentimentos e valores vêm á tona. É neste momento que os adultos (pais, mães, educadores e outros) precisam intermediar as relações estabelecidas entre a criança e o contexto em que vivem. Além da ativa busca pela compreensão do mundo, devemos considerar que nossos pequenos precisam da mediação de outros indivíduos, tendo como pano de fundo o que é socialmente aceito. É esta interação que ajudará na constituição de sujeito. Leis, regras, valores, deveres e direitos podem ser ensinados desde muito cedo, ocupando um lugar de grande importância (e delicadeza) na educação dos filhos.
A construção da ética (relacionado ao que queremos ser) e da moral (relacionado ao que devemos ser) pela criança passa por todas as experiências, das mais sutis até as mais complexas, em mesmo nível de importância e de interferência na formação e no desenvolvimento.
Segue alguns exemplos de situações cotidianas que merecem atenção, cuidado e reflexão, pois será através delas que ajudaremos os pequenos nessa construção:

– O clássico PEDIDO DE DESCULPAS, tão usado e sugerido pelos adultos sempre que uma criança bate, grita, quebra algo… CUIDADO! Pedir desculpas pode ser autorização para que o evento se repita inúmeras vezes. A criança compreende que basta pedir desculpas para resolver um problema e seu erro ser anulado. Sugiro que incentive o uso das desculpas apenas quando a atitude for involuntária, ou seja, sem intenção. Caso a criança pise em um brinquedo do colega sem querer e o quebre, ou esbarrou num copo e molhou toda a roupa da irmã… Nestes casos, cabe um pedido de desculpas seguido de uma ação que repare o feito, como por exemplo, tentar colar o brinquedo e enxugar a água derramada. Se a ação foi intencional, como, bater para conseguir a bola disputada, rabiscar o desenho do colega ou lançar um objeto com raiva para quebrá-lo, pedir desculpas não terá nenhum efeito educativo consistente. Nestes casos, sugiro que a criança repare o feito é seja informado que não há tolerância para que estas ações se repitam.
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– NÃO USE BARGANHA. Não ameace. Algumas situações são negociáveis e outras não. As crianças têm o direito de serem guiadas por regras e limites. Portanto, se é hora de alimentar, não negocie este momento com a hora de brincar. Evite frases como: ” Se não comer tudo não vai na pracinha” ou “Se chorar não ganha o brinquedo”.
Não, não e não. Cada evento precisa ser tratado singularmente. Decisões como alimentação, passeio na praça e dar presentes ao filho são, na maioria das vezes, uma escolha dos pais e outros adultos.
Portanto, caso a criança resista em alimentar-se, a ação deve ser voltada para ajudá-la a adquirir hábitos alimentares e não substituir as refeições.
GANHAR um brinquedo fica ainda mais interessante quando não é rotina ou consumo desenfreado. Que tal escolher um objeto para doar sempre que adquirir um novo?!
CHORAR para conquistar algo é tão ruim quanto tentar calar um choro diante da chance de ser presenteado. O choro precisa sim ser acalentado, mas apenas quando há motivos consistentes para isto. Caso contrário, choro vira um jogo de trocas e chantagens que não deve ser nutrido. Nestes casos, o melhor é esperar o choro passar (mesmo que demore), para deixar claro de uma vez por todas, que aquele artifício não funcionará.

 

– Situações como PERDER no jogo, ESPERAR a vez de falar, querer algo e não ganhar instantaneamente, limpar o que sujou, organizar o que bagunçou e escutar alguns “NÃOS” são essenciais.

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– Ter uma ROTINA estabelecida e compartilhada com a criança ajuda muito. As crianças precisam de planejamento. Claro que isto não deve significar rigidez. Uma pitada de flexibilidade é necessária, se não for confundida com permissividade. A flexibilidade deve ser e exceção e não a regra.

– PERMITIR e INCENTIVAR as crianças a brincarem de representar papéis é fundamental. Afinal, é principalmente através do brincar que as crianças se apropriam de regras e funções sociais.

– Estimule a AUTONOMIA, mesmo que dê mais trabalho, permita que seu filho sirva o próprio suco, experimente vestir-se sozinho, leve e busque objetos em diferentes locais da casa…

ana 1
Enfim, lembre-se que somos MODELOS e exemplos para as crianças o tempo todo e que, para EDUCAR não podemos ter preguiça, não é mesmo?!
Experimente! Vale a pena!

Ana Paula Alves Rodrigues agosto/2015

 

 

Para quem não conhece a Ana, ela estuda o assunto há mais de 15 anos e é especializada em Psicologia Infantil. Atua em cursos e palestras à professores e atende crianças em consultório particular.

Quem quiser contatar ela diretamente, segue o mail:

apaularodrigues@yahoo.com.br

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