Bar Mitzvá

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Hoje foi um dia de muita alegria e festa:

O meu sobrinho Mauricio celebrou o Bar Mitzvá, que significa a transição mais importante na vida de um judeu. Ao o menino completar 13 anos e a menina 12 passam a alcançar a maioridade na tradição da religião.

A cerimônia para os meninos se chama de Bar Mitzvá, e para as meninas, Bat Mitzvá (significa, literalmente, “filho de um mandamento”)

Começa com a leitura pública da Torá, que é o livro sagrado para os judeus. Também se coloca o tefilin (espécie de caixinhas pretas com faixas de couro que são colocadas no braço, na altura do coração e também na cabeça). Significa que busca, a partir daquele momento e como adulto, a coerência entre o que pensa o que sente e o que realiza.

E coloca também o talit, um manto branco com quatro pontas e franjas que representam a transparência, a beleza interior; as boas ações e o comprometimento do novo adulto com o bem.

Na puberdade, uma pessoa não vive mais no mundo de fantasia da infância e pode começar a fazer uma avaliação realista de seu mundo. Esse é o momento quando a consciência moral e a sensibilidade se desenvolvem completamente, permitindo que elas tenham total responsabilidade por seus atos.

A Cerimônia:

O Maurício colocou pela primeira vez o talit e o tefilin. Depois, rezou, cantando lindamente um trecho da Torá (Parashah) e recebeu nos braços a Torá da maneira mais tradicional: na forma de um grande rolo. Após, carregando o livro sagrado, andou pela sinagoga, reproduzindo a viagem de Moisés (que, de acordo com as escrituras, conduziu as Tábuas da Lei com os Dez Mandamentos até a Terra Prometida). O rito significa que a mensagem precisa viajar e circular.

Depois ele os leu trechos do livro sagrado e o rabino disse, especialmente para a ocasião belas palavras. Feito isso, é a vez da bênção final. A Minha irmã dedicou lindas palavras e cantou uma música para ele, velha infância, do Tribalistas. O irmão ficou emocionado demais ao ler um texto que tinha elaborado. E o pai dele finalizou falando algumas palavras especiais, sobre perdão e rendição. Tudo muito lindo!

Uma coisa que pautou a cerimonia? A emoção. Vi meus pais, minha irmã, cunhado e família em geral soltando várias lágrimas. Coisa muito emocionante mesmo, até arrepia só de lembrar!
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E claro, teve o momento mais esperado pelos meus filhos: Quando da condução da Torá temos o hábito de jogar balas que significa os votos para uma vida doce. Mas, cuidado! Se acertar o olho e derrubar a Torá, terá que jejuar. Alguns dizem que deve ser por 1 dia, Outros, pelos dias correspondentes ao número de dias do ano dividido pelo número de pessoas presentes: 365 ÷ … = Ou seja, nada bom!

Após tivemos uma festa, com músicas e muita dança, levantamos todos nas cadeiras, nos abraçamos e cantamos, adoro esta parte!

Aproveitando o momento trarei uma situação ocorrida em meu Bar mitzva:

Como a reza também temos a leitura da Parashah (nome dado à porção semanal de textos da Torá dentro do judaísmo), ou seja, são textos que mudam toda semana.

Como esta reza é um pouco longa, normalmente treinamos com o rabino por cerca de 1 ano ou mais. Como eu não sei ler hebraico fazia uma leitura transliterada do hebraico para o português.

Até aí tudo bem, por 1 ano praticamente decorei o texto.

Faltando um mês para o meu Bar Mitzvá tive a infelicidade de contrair hepatite, ou seja, festa cancelada até segundo aviso, até que ficasse totalmente curado.

Marcada data para 3 meses depois, o rabino vinha uma vez por semana em casa estudar o meu novo texto (já que, como dito, muda toda semana), ou seja, tinha menos de 1 mês, quando o rabino começou a vir em casa para “decorar” um texto que precisa de pelo menos 1 ano…

Vamos que vamos…

Chegou o grande dia, eu, nos meus 13 anos de idade, mega ansioso, coloquei o talit e tefilin sem problemas e, ao começar a leitura da Torá, peguei do meu bolso a “colinha” que era a Parashah transliterada. Ao entoar as primeiras palavras o rabino, como um professor que pega um aluno colando, simplesmente tirou da minha frente o meu texto e daí caiu o mundo né?

Me lembro da cena muito bem: Olhei para o rabino, para o meu pai que estava ao lado que, conjuntamente mexiam a cabeça para que eu continuasse a cantar…

Mas cantar o que? Tinha decorado, quando muito 3 linhas!

Solução? Dá arrepio até agora de lembra: Passei a cantar as três linhas que eu sabia e emendei com o texto que levei um ano estudando… Uma hora até olhei para o rabino e meu pai e vi que eles não sabiam se riam ou se choravam!!!

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