QUAL É O TEMPO DA INFÂNCIA?

Segue mais um provocativo e inspirador texto da parceira que admiro muito, a Ana, sobre a desnecessária necessidade urgente de as crianças perderem a sua infância… Vale a leitura e reflexão!

QUAL É O TEMPO DA INFÂNCIA?

O tempo me intriga. O que vem com ele me absorve. Tratando-se da infância então… 

Quanto mais leio sobre a infância e suas definições, mais questiono o fato de estar (teoricamente) sempre ligada a um período curto e previsto para ser encerrado, ou abandonado, quando atinge-se certa idade. Grande parte das fontes consideram a terceira e última infância entre os 7 e 12 anos, quase sempre associada a uma “preparação” para o mundo e a vida adulta. Há quem diga até que a definição do termo infância está ligado ao momento em que o ser é desprovido da fala. 

NÃO, NÃO, NÃO CONCORDO. Mas entendo que  a questão está além da concepção, a passa pela rigidez e pela frieza com as quais muitos adultos vivem hoje. Como se infância tivesse sentido apenas cronológico e que suas vivências dependessem exclusivamente da idade. Sigo na contramão deste preceito e remo contra a maré em defesa da ideia de adultos preservarem os detalhes da infância. 

Deixemos o tempo de lado um pouquinho… Vamos pensar no SENTIDO!

Convido você leitor, a refletir sobre cada “sentido” que listarei agora, e responda a si mesmo: é possível tudo isto na vida de um adulto? (Subentende-se aqui como adultos, qualquer pessoa que já tenha passado dos seus 12 anos). Aceita o desafio? Vamos lá!

Infância me remete a leveza, descoberta, possibilidade de aprender a todo instante. Achar graça na chuva, sentir medo assumidamente, chorar e rir ao mesmo tempo do próprio tombo. Fazer amigos sem julgamento, dizer “não” sem medo de perder o amor do outro. Perguntar o que quer saber, assumir o que não sabe. Pedir ajuda e colo sem sentir-se fraco por isso. Encantar-se com a transformação da lagarta, reivindicar por mais tempo livre, imitar dinossauros e construir um exército imaginário para proteger-se do inimigo. Acompanhar o trajeto de uma formiga, cavar terra e areia na expectativa de encontrar uma surpresa ou um tesouro. Sujar-se, tomar banho e sujar-se de novo sem ver o menor problema nisso. Correr para abraçar alguém, gargalhar mesmo sozinho, dançar na frente do espelho e cantar em qualquer idioma como se fosse o melhor dos intérpretes. Ralar o joelho e subir novamente na bicicleta, quebrar o braço e insistir no skate. Jogar e jogar-se. Se entregar à tinta, ao barro ou carvão, construir verdadeiras obras de artes e entregá-las como um presente ao primeiro que se aproximar, pelo simples prazer de presentear e dizer “fui eu quem fiz”. Viajar o mundo sem sair do lugar, fechar os olhos e imaginar. Sonhar acordado e acordar dando vida aos sonhos. Comemorar o dente que caiu. Mergulhar em aguas frias, sorrir de lábios roxos e dizer “vem também” por desejar compartilhar aquela sensação gostosa…

Ficaria aqui ainda por muito tempo, listando e me deliciando com todas estas possibilidades! Mas o tempo insiste em corromper até as mais saborosas experiências. E isto também é aprendizado. Portanto, voltemos ao tempo…

Estava dizendo sobre o tempo da infância, um tempo nobre que tentam limitar, enrijecer, esfriar. A essência da infância não precisa terminar aos 12, 15, 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos… 

Claro que não estou aqui sugerindo que a vida seja um grande conto de fadas, em um mundo cor de rosa. Mesmo porque não é assim nem para os pequenos. Levo muito a sério a infância e minha reflexão é exatamente propondo que os adultos flexibilizem mais, permitam-se mais e aprendam mais. Que abandonem seus pré-conceitos e julgamentos para experimentar, viver e ver a vida por outros ângulos. Meu convite é para nos preocuparmos mais em aprender com nossos pequenos a viver intensamente a infância do que ensinar a rigidez do mundo adulto para as crianças. Afinal, a infância não se repete mas pode ficar para sempre! 

 Ana Paula A. Rodrigues 

Mail dela para contato, consultas, envio de dúvidas apaularodrigues@yahoo.com.br

Sigam ela no Instagram: https://instagram.com/ana_escutaainfancia/

 

2 Comments
  • Anônimo
    outubro 26, 2015

    Obrigada, mais uma vez, Adriano! Adoro fazer parte de tudo isso! Grande abraço e vamos recuperar a essência da infância?!

    • Adriano BISKER
      outubro 26, 2015

      Eu que agradeço! Estou em busca da minha essência através de meus filhos!

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